A sucessão nas empresas familiares com a transmissão de direitos e deveres  aos herdeiros, é normalmente cercada de controvérsias e impasses por diversos motivos. Os herdeiros que trabalham na empresa, entendem que devam ter maior participação nos negócios da família e até nos demais bens que compõe o patrimônio familiar. De igual modo, os demais herdeiros acham que, mesmo não trabalhando nas empresas, devem ter seus direitos reconhecidos, embora devemos sempre lembrar que não existe herdeiro de pai vivo.

Com a estruturação de um planejamento, antes do falecimento ou afastamento do sócio fundador, nascem inúmeras ideias e planos que vão assegurar a perpetuidade ds negócios, o que é uma saudável preocupação com o futuro da família do empresário.

            O primeiríssimo passo para garantir uma excelente sucessão e a respectiva profissionalização das empresas familiares é a governança corporativa. Trata-se de um dos termos que estão na moda no campo da Gestão Empresarial, devido ao vasto número de benefícios e vantagens que esse instrumento oferece. Mas, afinal, o que é governança corporativa?

Governança corporativa é um conceito originário da língua inglesa, corporate governance, criado na década de 1980, nos Estados Unidos, em um momento no qual houve inúmeros escândalos envolvendo empresas de grande porte dos mais variados segmentos. Perante esse cenário, surgiu a necessidade de se elaborar práticas que objetivassem a redução dos efeitos causados pela assimetria de informações, enfraquecendo o poder de influência daquilo que passou a ser conhecido como “conflito de agência”.

Em território brasileiro, a governança corporativa, ainda dando os seus primeiros passos em uma fase de desenvolvimento, começou a ser implementada em 1999, a partir da fundação do IBGC, Instituto Brasileiro de Governança Corporativa

De acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, podemos entender a governança corporativa como o sistema por meio do qual as empresas e as organizações restantes são dirigidas de modo a receber monitoramento e incentivo, abrangendo as relações entre os sócios, o conselho administrativo, a diretoria, os órgãos de fiscalização, os órgãos de controle e todos os componentes interessados.

No caso específico das empresas familiares, recomenda-se sempre a contratação de profissionais de fora da empresa, que uma visão mais crítica e técnica, sem se deixar levar por emoções, pode organizar um processo sucessório de foram adequada em todos os aspectos: financeiros, patrimoniais, de direito societário e direito de família.

 

Os empresários devem lembrar que as pessoas físicas não são eternas, mas seus negócios podem ser, planejando o futuro da empresa, escolhendo seus sucessores pelo eficiência e não pelo coração, pois muitas vezes o filho que está trabalhando na empresa numa determinada função, pode não ser a melhor escolha para gerenciar todos os negócios da família.

Sempre lembro que por trás de um CNPJ existem vários CPFs. Assim, devemos sempre enxergar nas empresas as pessoas que a fundaram, nela investiram recursos, tempo e sonhos. Desejar sua perenidade, com um bom trabalho de planejamento sucessório, certamente trará segurança e tranquilidade para os empresários e sua família.

CELSO ARRUDA – Consultor Contábil e Fiscal do SULPETRO.